Pg.lost – “Versus”
2016 - Pelagic Records
Os Pg.lost são uma enorme referência do pós-rock mundial, mesmo que essa referência muitas das vezes passe despercebida. No entanto, para quem está atento à boa música que se faz, não há nada que passe despercebido em “Versus” que se assume desde logo como um trabalho monstruoso. Ao sexto álbum, a banda decide deixar para trás a voz e apresenta-nos sete temas instrumentais em quase uma hora de música, o que equivale a uma viagem para fora do nosso corpo – e não vale a pena referir o quão gostamos deste tipo de jornadas.
A forma como lhe juntaram peso às mesmas sensibilidades de sempre é o grande trunfo de “Versus” e não sabendo bem o tema deste álbum, se é o que tem, o confronto sugerido pelo título encaixa perfeitamente já que estas duas características apesar de andarem de mãos dadas, enfrentam-se para o domínio. Ou se calhar estamos apenas a divagar. O que é bom, já que temos música que nos propõe a isso. Normalmente as pessoas não são muito abertas a música instrumental já que a mesma não tem o mesmo impacto que um refrão apelativo em três ou quatro minutos de música. Aqui temos melodias maiores que a vida em temas que rondam, em média, os sete minutos.
E não cansa. Já perdemos a conta às vezes que já ouvimos estes temas, este álbum, e continuamos a voltar a ele com o mesmo entusiasmo redobrado. A forma como a intensidade vai sendo construída (que basicamente é a fórmula base do pós-rock) como um mantra que fica cá e transcende o ouvinte é impressionante. Assim como as paisagens sonoras que são criadas e que obrigam a que sejam obrigatoriamente visitadas. Talvez seja demasiado pós-rock quando existe já uma fórmula bem definida para o estilo, no entanto, a qualidade da música faz com que isso simplesmente deixe de ter importância. Um álbum para quem sente a música dentro de si, a banda sonora para qualquer tipo de viagem, mas de preferência, daquelas de olhos fechados.
9.5/10
Fernando Ferreira

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