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A mostrar mensagens de março, 2021

Crematory - "Live Revolution"

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  2005 - Nuclear Blast Era um pouco expectável que com o regresso dos Crematory, viesse também um DVD/CD ao vivo. A banda tinha acabado em 2001 - não se percebeu muito bem o motivo desta decisão mas a verdade é que a banda não ficou muito tempo longe. Acabou por aceder ao pedido da Nuclear Blast para fazer uma cover da "One" para o tributo aos Metallica - uma versão que até nem é especialmente brilhante mas que foi o suficiente para que os fãs e a editora pedissem e insistissem num regresso. O resultado foi o "Revolution" de 2004 e este "Live Revolution". A decisão de acabar era incompreensível e o regresso não trouxe tantas diferenças mas vendo a banda em cima do palco, é inegável que este é o seu elemento. O foco está nos temas mais novos mas a inevitável "Tears Of Time" continua presente e ainda se tem a supresa da cover dos Sisters Of Mercy, "Temple Of Love". No geral é um DVD recomendado para todos os fãs da banda e poderá ser uma ...

Etrusgrave – “Aita’s Sentence”

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  2016 - Minotauro Records Vindos da Itália, temos “Aita’s Sentence”, o terceiro álbum dos Etrusgrave que surge de mansinho como quem não está bem à vontade mas depois explode com um heavy metal que por vezes é verdadeiro demasiado. Passamos a explicar. Inicia-se com uma toada mais midtempo e com um registo vocal que descobrimos depois ser contido. A música em questão “Anxiety”, poderia ficar um pouco mais curta e dinâmica, mas tudo bem, afinal a descrição da banda no Metal Archines é mesmo de heavy metal épico. O problema é na seguinte faixa, “Mammoth Trumphet” onde se revela com uma abordagem à voz que… …como é que havemos de pôr isto sem ofender ninguém… …poderia partir copos. Não é que esteja desafinada, não é que seja uma má voz (embora também não seja particularmente brilhante), é apenas uma má escolhida de registo onde temos por vezes gritos que nos dão ideia de durarem quase trinta segundos (chiça, homem, respira senão a tua cabeça ainda explode). Não negamos que nos traz à...

True Widow – “Avvolgere”

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  2016 - Relapse Records A experimentação dissimulada sempre foi um dos pontos fortes dos  True Widow . Agora, ao quarto álbum, este “Avvolgere”, não haveria motivos para mudar isso. Independentemente da abordagem que a banda escolha, seja uma que parece estar mais próximo da dinâmica do heavy rock (ou do stoner, porque não arriscar em dizê-lo?) como no tema de abertura “Back Shredder”, seja no new wave, shoegaze barulhento na forma mas pacato no conteúdo de temas como “Theurgist” e F.W.T.S.L.T.M, os resultados serão sempre do agrado por quem já os segue e neste quarto trabalho não se encontram excepções. Há toda uma toada hipnótica que envolve o ouvinte suavemente, mas não é algo belo. Bem, é e não é. É uma beleza tosca, urbana e até algo suja, mas mesmo assim não deixa de ser uma beleza apreciável e assinalável. Não é um trabalho para se ouvir para descarregar frustrações nem tão pouco para ouvir todos os dias, mas terá o seu efeito quando obriga o ouvinte a parar e a reflec...

Warfect – “Scavengers”

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  2016 - Cyclone Empire Thraaaaaaaaaaaaaaaaaaassssssssh!! Admitam lá que tinham saudades destes gritos de guerra. Eles só surgem quando são absolutamente necessários e neste álbum de confirmação dos Warfect é mesmo absolutamente necessário. Os  Warfect  são suecos e chegam ao terceiro álbum com um “Scavengers” que é um autêntico petardo thrash metal agressivo que nos remete para o universo de uns  Destruction  ou  Kreator , ou seja, tem um cheirinho alemão na sua composição, mas também podemos detectar algumas influências norte-americanas. Para qualquer fã de thrash metal bastaria o que está para traz para levantar automaticamente a curiosidade. Como infelizmente o mundo não constituído por fãs de thrash metal teremos que elaborar um pouco. Para essas mesmas pessoas, um dos problemas do thrash metal puro e duro é soar por vezes muito uniforme. Claro que com falta de imaginação apenas nos lembramos das baladas como forma de ir buscar dinâmica, embora nos esq...

Disemballerina – “Poison Gown”

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  2016 - Minotauro Records Pode-se encontrar algo na internet sobre os  Disemballerina  como “Portland Chamber Doom Music”. Bem sabemos em como os comunicados de imprensa no mundo da música por vezes exageram nos rótulos (e depois andam as bandas a queixarem-se que dizem que tocam isto ou aquilo) ou nas comparações mas desta vez, “Portland Chamber Doom Music” é perfeito. Para que fique já esclarecido, não temos aqui qualquer tipo de distorção. Não temos também percussão portanto, a coisa da música de câmara faz todo o sentido. Isto quanto à forma.  Quanto ao conteúdo, o termo doom também não é desfazado de todo, mesmo que isso nos empurre para imagens auditivas de riffs arrastados e urros guturais. Não, a música é instrumental e como já foi referido, não existem riffs. Existe sim um ambiente opressivo que circula por todas estas músicas e acabam por nos hipnotizar, não passado muito tempo. É óbvio que é preciso abertura para este tipo de coisa, embora não seja necess...

30.000 Monkeys – “I Ate Myself To Grow Twice As Big”

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2016 - Consouling Sounds O título deste álbum (em conjunto com a capa que ao longe nos parece tão inocente) é duma potência desconcertante que nem sempre se atinge à primeira e poderia ser também essa a descrição do que podemos ouvir também. Os 30.000 Monkeys são belgas e como belgas que são entregam-nos aqui uma autêntica bujarda em forma de álbum de estreia que mete no mesmo tacho pós-metal, sludge, noise e castanhada de meia noite. E daí o dizermos que este caos sonoro todo é passível de não nos atingir, pelo menos nos botões certos, logo à primeira. Todavia intriga-nos o suficiente para que voltemos lá. E não é garantido que depois de voltarmos lá uma segunda (ou terceira ou quarta ou quinta) vez que se saia um pouco mais esclarecido. Mesmo assim, ficamos intrigados o suficiente para continuarmos a voltar. Este é um daqueles trabalhos que têm ar de passar agora (criminosamente, diga-se) despercebido mas que daqui a uns cinco (dez, quinze ou vinte) anos alguém se lembre de o repesca...

True Black Dawn – “Come The Colorless Dawn”

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  2016 - W.T.C. Primeiro álbum dos  True Black Dawn , apesar de já terem uma carreira com quase vinte anos (não contando com o período em que se chamavam simplesmente  Black Dawn  e foram forçados a mudar de nome, optando pela jogada Mayhem – ou seja, acrescentar o True antes do nome se bem que nos Mayhem, o “true” ficou apenas no logo, já que todos os chamam como  Mayhem  mesmo).O que temos é black metal cru e impiedoso, à boa maneira finlandesa – embora aqui nos pareça mais à boa maneira norueguesa mas são meras questões geográficas. Não se pense que são só blastbeats em abundância (que também os temos) porque existe por aqui muita dinâmica e principalmente, uma tendência em apresentar melodias invulgares mas que só servem para aprofundar ainda mais a tonalidade negra que músicas como “Cinereous” e “Downwards The Serpent Spiral” têm. Referimos atrás os  Mayhem  e não foi ao acaso já que podemos encontrar aqui o mesmo feeling pouco ortodoxo que a...

Steve ‘N’ Seagulls – “Brothers In Farms”

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  2016 - Spinefarm Vamos dizer algo que não é novidade para ninguém. Gostamos de covers. Gostamos das metalizações e transformações em geral de músicas que são clássicos. Dito isto, também não escondemos a nossa admiração por um projecto como este dos Steve ‘N’ Seagulls (este nome é qualquer coisa de brilhante, tendo já analisado o seu primeiro álbum. Pouco tempo depois da estreia temos aqui um segundo álbum com um título brilhante – a sério, digam lá se “Brothers In Farms” não é um título genial? As vítimas desta vez são um pouco mais variadas mas os resultados são igualmente fantásticos. Temos então Iron Maiden, Metallica, Nightwish, AC/DC, Guns’N’Roses, Nirvana, Megadeth, Deep Purple, The Offspring, Foo Fighter e até Steppenwolf numa selecção de grandes clássicos da música pesada que são transformados em música hillbilly (não sabemos se é propriamente um género músical válido, mas só nos vem à mente é rednecks à cabeça) e que se ouvem muito bem. Claro que se o intuito para ouvir...

Imperium Dekadenz – “Dis Manibvs”

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  2016 - Season Of Mist Se há um duo que tem tido uma carreira extremamente regular no que diz respeito à qualidade esse duo é aquele que compõe os  Imperium Dekadenz . A banda tem pouco mais de uma década mas desde o primeiro álbum até agora a este “Dis Manibvs”, que é o seu quinto, a qualidade tem sido bem acima da média. E com isto dito, poderíamos ir já embora, porque acabámos por revelar já o destino desta missiva – ou seja, fizemos auto-spoiler. Não há nada a esconder e para os fãs de  Imperium Dekadenz , também não deverão existir surpresas com este veredicto, mesmo aqueles que ficaram um pouco apreensivos com as supostas influências de  Deafheaven . Mas vamos lá mergulhar um pouco mais. O elemento black metal está bem presente. Temos os riffs em tremolo picking, temos a voz rasgada alternada por murmúrios e temos uma paisagem sonora, criada por arranjos de teclados inteligentes que fazem com que essa paisagem soe verdadeira e não apenas um gimmick que todos j...

Ewigheim – “Schlaflieder”

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2016 - Massacre Records   Os Ewigheim podem não ser um grande nome fora das fronteiras do seu país, mas internamente foi-se tornando como um dos nomes de referência da cena alemã do metal gótico. Trata-se de uma espécie de super-grupo germânico contando com membros de Eisregen, Marienbad, The Vision Bleak, Empyrium, Hämatom, entre outros. Não bastasse a experiência individual, a banda também é bastante rodada, sendo este “Schlaflieder” o seu sexto álbum de originais. No entanto, será tudo isto suficiente para que se tenha um álbum memorável de metal gótico? Dificilmente. Não é que não tenhamos aqui alguns ganchos e temas vencedores – “Ein Stück Näher” é uma música que fica na memória devido principalmente ao à sua aproximação da fórmula do género no final da década de noventa. O problema é mesmo o álbum em si é demasiado mortiço, quase tão mortiço como se se trasse de funeral doom. Bem sabemos que o metal gótico anda de mãos dadas com algum miserabilismo típico do doom mas músicas ...

V/A - "The Rough Guide To Psychedelic Cambodia"

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  2014 - World Music Network Este é o resultado directo do Festival de Músicas do Mundo de Sines. Um festival com uma mística muito própria e que incentiva ao intercâmbio e conhecimento entre as diversas culturas musicais. O Cambodja teve uma história conturbada com a ditatura terrível que viveu no século passado mas nem isso impediu que a cena musical florescesse na década sessenta e setenta. Apesar do lado mais rudimentar - quando se fala em psicadélico da década sessenta, deverá ter-se em conta o seu carácter mais embrionário. Esta edição é dupla, que traz um CD extra dos The Cambodian Space Project e é uma adição interessante a qualquer audioteca que visa explorar e conhecer música um pouco por todo o lado. 7/10 Fernando Ferreira

Pg.lost – “Versus”

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  2016 - Pelagic Records Os Pg.lost são uma enorme referência do pós-rock mundial, mesmo que essa referência muitas das vezes passe despercebida. No entanto, para quem está atento à boa música que se faz, não há nada que passe despercebido em “Versus” que se assume desde logo como um trabalho monstruoso. Ao sexto álbum, a banda decide deixar para trás a voz e apresenta-nos sete temas instrumentais em quase uma hora de música, o que equivale a uma viagem para fora do nosso corpo – e não vale a pena referir o quão gostamos deste tipo de jornadas. A forma como lhe juntaram peso às mesmas sensibilidades de sempre é o grande trunfo de “Versus” e não sabendo bem o tema deste álbum, se é o que tem, o confronto sugerido pelo título encaixa perfeitamente já que estas duas características apesar de andarem de mãos dadas, enfrentam-se para o domínio. Ou se calhar estamos apenas a divagar. O que é bom, já que temos música que nos propõe a isso. Normalmente as pessoas não são muito abertas a mú...

The Pete Flesh Deathtrip – “Svartnad”

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  2016 - Critical Mass Recordings Parece um nome esquisito para se dar a uma banda, não é? The Pete Flesh Deathtrip. Até parece nome de banda de deathcore, mas não. O que temos aqui é mesmo death metal mais ou menos à antiga. É sueco mas nem abusa dos lugares comuns (que todos nós amamos) do estilo. Aliás, pela amostra do primeiro tema, até ficaríamos algo confusos acerca da sua designação. Pelos primeiros momentos parece algo mais doom metal, mas de seguida parece que adiciona algum ocultimo à la black metal com thrash misturado à receita mas ouvindo o trabalho todo (e não apenas uma música) facilmente encaixamos “Svartnad” no death metal, mesmo com todos oseste que é o segundo álbum desta one-man-band. Exacto, one-man band e estamos a falar de death metal. Quer-se dizer, é daquelas one-man-bands em que uma pessoa toca tudo mas tem que vir alguém de fora ou para cantar ou para tocar bateria. Neste caso é para tocar bateria, que ficou a cargo de Henke, dos Satureye. O resultado fin...

Myth Of A Life – “She Who Invites”

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  2016 - Sleaszy Rider Records Saudades de um álbum de death metal melódico começar com uma intro acústica cheia de melodia? Poderá ser coisa de nostalgia aguda mas é exactamente assim que começa este álbum de estreia da banda britânica Myth Of Life. A dita intro teria um maior impacto se tivesse uma ligação com a primeira faixa a sério, a “Scourged And Crucified”. Sente-se uma quebra que faz com que o bom momento inicial se sinta interrompido, apesar do poder e potência da já mencionada música. Para esclarecer, porque é o ponto que serve logo para separar o trigo do joio, quando estamos a falar de death metal melódico, estamos a falar mesmo de death metal melódico. Temos vozes guturais e vozes gritadas – aparentemente gritadas pela mesma pessoa, Phil Core – e temos guitarradas que gosto das suecadas da ordem, apesar de não serem dadas aos solos. Curiosamente este era um projecto a solo do guitarrista/baixista Takanari Shono que gravou o EP “Erinyes” em 2014, em conjunto com Phil n...

Winterlore – “Winterlore”

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  2016 - Edição de Autor O black metal dos Estados Unidos teve um pouco o rótulo de ser todo pouco ortodoxo e cheio de experimentalismos e nalguns casos, isso é bem verdadeiro. No entanto, noutros, como é o caso dos Winterlore, é capaz de nos fazer recuar no tempo com gosto – ou seja a diferença entre recuar no tempo com gosto ou apresentar algo que cheira a bafio. Claro que será sempre uma resposta individual, mas no que nos diz respeito, este trabalho auto-intitulado faz-nos recuar a uma altura em que o black metal dito melódico ainda estava longe de ser um filão a explorar por todas as editoras interessadas em ganhar um dinheiro rápido.Basicamente é o que temos aqui neste segundo álbum desta banda norte-americano, onde as referências apontam directamente para a Escandinávia, nomeadamente, Noruega, com riffs em tremolo picking bem memoráveis. Também temos alguns teclados mas que não vão além do seu papel de fazer o complemento das guitarras, reforçando assim o seu poder. Coisa si...