InThyFlesh - "The Flaming Death"

2016 Altare Productions/BlackSeed Productions
Os InThyFlesh dispensam introduções para quem acompanha a cena de black metal nacional desde o início do novo milénio. Conseguindo criar uma base no underground bem forte, a banda do Porto foi mantendo-se fiel aos seus príncipios e ao seu som, conseguindo também evoluindo a cada lançamento. Fruto dessa evolução temos aqui "Flaming Death", o quarto álbum, duplo (e quando foi que ouviram que uma banda de black metal cru tinha editado um álbum duplo?), lançado após cinco anos de ausência no que aos álbuns de originais diz respeito - sim, porque a actividade discográfica em termos de outros lançamentos (EP e splits) não abrandou.
O que se poderá pensar é que esta opção de lançar um álbum duplo em quase duas horas de música é um tiro no pé, isto, partindo do príncipio de que sendo o black metal um dos subgéneros do metal mais herméticos que há, que poderiamos ter um lançamento demasiado longo para o seu próprio bem. Não são necessárias muitas audições para verificarmos que esta teoria é errada, já que este trabalho, apesar de não se desviar um mílimetro do black metal que já conhecemos da banda, é bem dinâmico, tendo inclusive melodias memoráveis (não entender a palavra melodias da forma errada, continuamos a falar aqui de black metal) que se colam logo à primeira.
O som é cru, bem old school, mas ainda permanecendo com pujança e com aquele ambiente que já reconhecemos e esperamos. Por sua vez as músicas em si variam entre os momentos mais uptempo, com alguns temas mais directos, e outros mais compassados e até algo épicos, usando para esse efeito, a perigosas ferramenta da repetição, mas como a mesma é usada com sabedoria, o resultado final só fica a ganhar. Apesar disto, não é um álbum que se absorve à primeira, sendo um trabalho que dá gosto ir descobrindo aos poucos, havendo sempre um detalhe ou outro que nos salta para a frente, como se não tivesse estado ali desde o início. E sim, continuamos a falar de black metal. Este é um dos nossos mais recentes vícios e, arriscamos a dizer, o melhor trabalho da carreira da banda portuense.
9/10
Fernando Ferreira
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