Inhuman - "Foreshadow"
1998 - União Lisboa IV
E que desilusão este álbum foi... lembro-me do impacto teve em mim a primeira vez que ouvi os Inhuman. O tema foi "Eternal Martyr" e foi simplesmente arrasador. Lembro-me que na altura também estava a descobrir Ramp e Moonspell, e sem dúvida que o impacto dos Inhuman foi superior. A demo "Pure Redemption" é um belo exemplo do poder que Portugal tinha (e ainda tem, felizmente) no domínio da mistura do death metal com a melodia gótica. Depois de um álbum menos intenso, "Strange Desire", mas ainda acima da média, é chegada a vez do segundo trabalho, este "Foreshadow".
Com produção de Simon Efemey conhecido pelo seu trabalho com Paradise Lost e que depois produziu também os Ramp, "Foreshadow" apresenta uns Inhuman quase irreconhecíveis. Não é que seja um mau trabalho. É até bastante competente no seu metal gótico mais ligeiro, no entanto sofre de uma considerável falta de pujança principalmente no que diz respeito à voz de Pedro Garcia. Para quem estava habituado ao seu registo gutural, a voz limpa aqui soa algo fraca e genérica. Se recuarmos até à altura em que foi lançado - 1998 - este era o caminho que as bandas na altura, por todo o lado, estavam a seguir. Os Moonspell lançaram o seu álbum mais acessível de sempre, "Sin/Pecado, os Heavenwood também ficaram menos pesados com "Swallow" e lá fora temos ainda mais exemplos - Rotting Christ com "Dead Poem", Tiamat com "A Deeper Kind Of Slumber", Samael com "Eternal" e os próprios Paradise Lost com "Host".
Infelizmente os Inhuman não tiveram a mesma "sorte" que todas as bandas atrás citadas, que bem ou mal, continuaram as suas carreiras e tornaram-se mais fortes, a maior parte até endurecendo o seu som. Apesar de algumas tentativas de voltar, as mesmas revelaram-se inconsequentes e a banda acabou por encerrar funções. Ouvindo este álbum quase vinte anos depois do seu lançamento, nota-se que o mesmo envelheceu bem, mas a voz de Pedro Garcia continua a ser uma sombra daquilo que era - tudo bem, é um registo diferente mas mesmo assim. Quando saiu, foi uma desilusão para mim. Hoje em dia, consegue-se apreciar melhor, apesar da questão da voz, tendo envelhecido graciosamente.
Nota 7/10
Fernando Ferreira

Comentários
Enviar um comentário