Blues Pills - "Lady In Gold"

2016 - Nuclear Blast
Ora aqui está uma banda que somos fãs desde o primeiro momento, desde o primeiro EP de 2012, "Bliss". Podemos encaixá-los no movimento retro que visa em capturar o espírito da década de sessenta e setenta, mas se por vezes nas modas ficamos na sensação que só ouvimos algumas coisas porque nos chegam na enxurrada, com os Blues Pills sempre vimos algo de especial, muito graças à voz de Elin Larsson, que nos vai buscar muito àquele feeling desaparecido desde que a Janis Joplin faleceu. Com um primeiro álbum excelente, este segundo cheira a terceiro (aquele de confirmação), mas tudo isso não interessa porque a única coisa que queríamos era mesmo mais músicas.
E aqui estão elas.
Podemos dizer que não estamos nada desiludidos. Mesmo num momento como "I Felt A Change", assumidamente comercial e que nos dá um cheirinho do que dominava os tops de vendas na década de setenta e talvez oitenta, a banda acerta em cheio com uma poderosa balada. Quando na análise que normalmente fazemos de trabalhos da música pesada, temos que ter em conta pressupostos técnicos, mas aqui tudo isso perde razão de ser, quando o que interessa mesmo é o sentimento e por aqui há disso às toneladas. Feeling. Daquele que nos faz bater o pezinho sem saber bem porquê. Claro que a produção é poderosa, com todos os instrumentos a fazerem-se ouvir, com espaço para os coros e para a voz de Larsson.
Como é que sabemos quando temos um excelente álbum nas mãos? Quando não conseguimos parar de ouvi-lo, quando as suas músicas (como o tema-título, a "Bad Talkers" e a "Won't Go Back") ficam na nossa mente, a passar vezes sem conta mesmo depois de pararmos de ter ouvido o álbum, então é sinal de que temos algo especial nas mãos. "Lady In Gold" apresenta-nos um álbum clássico que poderia ter sido gravado quarenta anos atrás, e é isso que é fantástico nele (e nos Blues Pills). Mesmo que tivesse sido gravado quarenta anos atrás, continuariamos a ouvi-lo hoje em dia, ao lado do "IV" dos Led Zeppelin ou do "Cheap Thrills" de Janis Joplin. Intemporal e clássico.
9.5/10
Fernando Ferreira
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