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A mostrar mensagens de agosto, 2020

V/A - "Pop Punk Loves You"

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   2002 - Wynona Records Numa altura em que as guitarradas começam a ficar de novo da banda, houve toda uma corrente de punk que sonhava em explodir nos tops, nas rádios ou num qualquer filme ou série para adolescentes. Inconsequente? Sim, por completo? Bom? Bem, talvez dependerá dos gostos mas temos boas melodias, boa produção forte e as guitarras sempre presentes mesmo que fossem ofuscadas por refrões pastilha elástica que não queriam mais largar. Sintomático dos tempos vividos e um bom retrato daquilo que era a cena do punk rock mais comercial. Interessante notar que no meio de vinte e cinco bandas, encontramos nomes como Satanic Surfers e Rise Against. Nota 8/10 Fernando Ferreira

V12 - "Live at Rock Rendez-Vous"

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  1988 - Edição de Autor Os V12 eram, na década de oitenta, um dos nomes fortes do heavy metal nacional e já tinham uma boa base de seguidores mesmo antes de qualquer lançamento. Com a demo lançada no ano anterior, em 1988, a banda gravou esta espécie de bootleg no mítico Rock Rendez-Vous, e foi distribuído assim, apesar de nunca ter sido vista como um lançamento oficial. Apesar de precariedade do som - na altura, quem é que não tinha um som precário? - é possível ver o potencial, ainda que ingénuo, que os v12 tinham. Honesto e visceral, este é um lançamento histórico que recomendamos que se ouça pelo menos uma vez. Nota 8/10 Fernando Ferreira

U.D.O. - "Holy"

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  1999 - Nuclear Blast Records Estavamos a viver um período muito bom para o power metal, o que fez que alguns nomes do metal tradicional beneficiassem disso. O facto da Nuclear Blast, outrora mais devota das sonoridades extremas, ter começado a abrir as portas a sonoridades mais melódicas - e aí o sucesso do álbum de estreia dos Hammerfall terá sido um dos principais responsáveis - fez com que a editora fosse buscar mais uma série de nomes onde apostar. Udo Dirkschneider não era um desconhecido e o fim dos Accept ainda estava fresco mas para Udo a sua carreira a solo estava completamente "on fire", sendo que este é o terceiro de uma série de álbuns que são dos melhores de toda a sua carreira. "Holy" é um álbum onde a voz marcante do vocalista alemão surge em grandes canções de heavy metal. Olhando em retrospectiva, não há como ficar fã deste álbum, se ainda não eram já fã da voz inconfundível de Udo. Nota 8/10 Fernando Ferreira

Twisted Sister - "Big Hits And Nasty Cuts: The Best Of Twisted Sister"

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  1992 - Atlantic Records Os anos noventa, como já sabemos, foi terrível, na sua generalidade para as bandas de hard rock e heavy metal. No entanto, não foi a mudança de ventos e tendências que fizeram com que os Twisted Sister. Depois de quatro álbuns clássicos, Dee Snider queria lançar um álbum a solo que a editora insistiu que fosse creditado à banda. Um álbum bem mais mainstream e claramente desinspirado para padrões metálicos ou até mesmo roqueiros. Conclusão, a banda acabou por ficar por ali. Quatro anos depois e de forma a fazer render o peixe numa altura em que o estilo estava a despedir-se do seu sucesso comercial, temos aqui esta compilação que se foca, obviamente, nesses primeiros quatro álbuns e apresentam ainda alguns temas ao vivo que são um bom complemento. Não é uma compilação essencial mas é um bom sítio para começar. Nota 6.5/10 Fernando Ferreira

S.O.B. - "What's The Truth?"

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  1990 - Selfish Records A porrada japonesa sempre teve alto gabarito mas estes S.O.B. foram algo revolucionários. Uma fusão entre o crust / hardcore com o grind, o que temos aqui neste segundo álbum foi algo que viríamos encontrar ao longo da década de noventa e nalguns casos até de forma revolucionária. Isto porque numa altura em que era extremo fazer algo inaudível e ultrajante a nível de concepções e limites musicais, os S.O.B. fazem um álbum onde os temas têm todos pés e cabeça. Poderá ser visto como algo mais tradicional e até de certa forma limitado, mas ouvirmos este álbum trinta anos depois vemos o quão estavam à frente do seu tempo, pela forma que mesmo sem serem uma referência maior do género, conseguiram fazer algo que mais tarde viria ser regra. Para os amantes do grind, vale a pena conhecer. Nota 8/10 Fernando Ferreira

Racer X - "Second Heat"

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  1987 - Shrapnel Records A Shrapnel não tinha só trabalhos instrumentais com guitarristas que teimavam em revolucionar o seu instrumento e a forma como ele era visto e sentido. Também foi a casa para bandas como os Racer X, que, só por acaso, tinham dois guitarristas de grande classe, Bruce Bouillet e um tal de Paul Gilbert. Além ter na bateria outro de tal de Scott Travis. Ora esta maltinha toda junta pela segunda vez traz-nos um grande álbum com solos alucinantes. Sem serem gratuitos. É impossível dissociar o álbum da época em que foi lançado mas ainda sem mantém actual e relevante nos dias de hoje. E apesar dos elevados níveis técnicos, é um trabalho que se sente descomprometido. Heavy Shredding Metal! De assinalar ainda as covers de Judas Priest e David Bowie. Nota 8/10 Fernando Ferreira

Queen - "At The Beeb"

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 1989 - Band Of Joy A BBC Radio tem um espólio musical digno de respeito e quase todas as bandas britânicas passaram por lá e os Queen não foram excepção. Apesar de ter sido lançado apenas em 89, com a autorização da BBC, estes oito temas foram registados em duas sessões, a primeira em Fevereiro de 73 e a segunda a Dezembro do mesmo ano. Os temas são todos do álbum de estreia, menos "Ogre battle" que é do segundo trabalho. Ou seja, é a fase mais rock em todo o seu esplendor. "Keep Yourself Alive" é o tema mais identifcável para quem é forasteiro a esta fase primordial da banda britânica, mas para os fãs dos primeiros tempos, maus crus e rock (e até progressivos) da banda, este é um item de colecção obrigatório. Nota 8/10 Fernando Ferreira

A Perfect Circle - "Thirteenth Step"

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  2003 - A Perfect Circle Os A Perfect Circle sempre foram uma banda que me passou ao lado. Tornaram-se rapidamente numa coqueluche da imprensa e dos fãs de bandas tanto de nu metal como do rock alternativo que por esta altura já era bastante indissociável um do estilo do outro. No entanto, este projecto sempre se revelou como uma lufada de ar fresco diferente daquilo que se fazia e apesar de contar com a voz de Maynard Keenan, não se pode dizer que se trata de algo que faça lembrar Tool. "Thirteenth Step" foi o segundo álbum, que foi um sucesso quase imediato. Olhando para ele à distância, esse sucesso foi merecido. Talvez não seja um álbum que seja marcante dentro do género ou que seja muito recordado, mas é daqules ao qual se volta sempre com gosto. Nota 7/10 Fernando Ferreira

O.S.I. - "Office Of Strategic Influence"

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  2003 - InsideOut Music Este foi um álbum e projecto que teve um enorme relevo na altura em que foi lançado. Não só por ser uma super-banda (mais uma de Mike Portnoy, na altura nos Dream Theater) mas por juntar também o talentoso baterista ao seu ex-colega de banda, Kevin Moore, tendo ainda a companhia de Jim Matheos, dos Fates Warning. Com Kevin Moore na voz, o que se tem não é exactamente a soma de todas as partes progressivas desta equação. O ênfase é dado mais a grooves electrónicos (que aqui ainda andavam bastante discretos) e no final parece que anda tudo no ar. Uma espécie de chill out progressivo. Não sendo mau, é um parente pobre na família da carreira ilustre de cada um dos membros. A edição especial vem com dois CDs sendo que o segundo traz mais três temas onde terei de destacar obrigatoriamente a cover de Pink Floyd, "Set The Controls To The Heart Of The Sun". Para coleccionadores e fãs de Dream Theater, é recomendado mas longe de ser essencial. Nota 6/10 Fernand...

Nagelfar - "Virus West"

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2001Ars Metalli Segundo e último álbum dos alemães Nagelfar, uma das boas bandas do underground black metal europeu do final da década de noventa. "Virus West" é black metal cru e primitivo mas não deixa de ter montes de ganchos para nos prender a atenção. E estamos a falar de canções maioritariamente longas, a esbarrar os dez minutos de duração. Dinâmicas bem conseguidas com riffs de tremolo picking que nos ficam mesmo marcados. Costuma-se dizer, e eu também com frequência, que certas coisas apenas ficam melhores com o tempo. Esta é mesmo um caso perfeito para ilustrar esse ponto de vista. Épico e a contrariar todas as tendências que na altura fizeram com que o black metal se tornasse mais acessível. Contrariando mas ainda assim com um trabalho fantástico. Nota 9/10 Fernando Ferreira

Masque Of Innocence - "Take 0"

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  1999 - Edição de Autor Foi engraçado voltar a esta demo tanto tempo depois. Confesso que perdi por completo o rasto a esta banda - em minha defesa, também só editaram o álbum de estreia onze anos depois e durante esse período (e após) têm sido bastante discretos. O nosso país apaixonou-se pelo metal gótico e nesta época no final do milénio, o mesmo estava bastante em alta entre os apreciadores de música extrema. Os Masque Of Innocence nesta primeira demo apresentaram algo dentro dessa linha (a lembrar Heavenwood, em parte), com uma intro longuíssima mas de bom gosto. Já os temas em si, apesar de apresentarem potencial, não conseguem marcar o suficiente para ficarem memorizados. Ainda assim uma demo interessante, estou curioso para ouvir o álbum. Nota 5/10 Fernando Ferreira

L.A. Guns - "Live! A Nite On The Strip"

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  2000 - Deadline Os L.A. Guns nunca tiveram um sucesso estrondoso - aliás, o reconhecimento que tiveram foi por Tracii Guns ter feito aquela fusão da banda com os Hollywood Rose que depois resultou nos Guns 'N Roses. Mas além de não terem um sucesso arrebatador, também têm uma história confusa que resultou em haver duas versões da banda, uma de Guns e outra de Steve Riley (baterista que também passou pelos W.A.S.P.). Algo que traz sempre confusão a quem tenta perceber que raio de versão está agora a ouvir ou ver. Neste álbum de originais temos uma reunião dessas duas facções antes das mesmas sequer existirem que regravado o clássico álbum "Cocked & Re-Loaded" e deram este concerto pouco tempo depois. Essa reunião durou tão pouco tempo como tudo o resto na carreira da banda mas não deixou de ser um registo muito interessante para a posteridade. Para os fãs e para quem deseja ficar a conhecer um bocado mais sobre eles. Nota 8/10 Fernando Ferreira

K2O3 - És Capaz!

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  1996 - El Tatu É criminoso ver como este álbum (e esta banda) é subvalorizado. Editado pela El Tatu, editora dos Xutos & Pontapés, este "És Capaz!" é um portento de punk rock nacional mítico. Do início ao final, trata-se de um álbum cheio de temas com letras de consciência social mas que também não fogem a terem alguns temas mais divertidos. Produção crua mas que não impede em nada o gozo que é ouvir canções como "Veneno", "Vaquinha" e "História de Ti". Como nota irónica, temos o tema "Racismo Não", que prova - caso houvesse dúvidas embora existam muitos descrentes - que apontar o dedo ao racismo não é moda recente importada dos E.U.A., assim como o problema é real há muito tempo. Detalhes. Clássico menosprezado mas nunca esquecido aqui para estes lados. Nota 9/10 Fernando Ferreira 

Jack Frost - "Gloom Rock Asylum"

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  2000 - Serenades Records Ainda me recordo de quando este álbum saiu, havia uma certa confusão em relação ao nome (apesar deste ser já o quarto álbum, foi com ele que a banda austríaca ganhou um bocado de exposição) já que haviam os Frosto (black metal - aliás, designação bastante popular o género) e também Jack Frost (que também tinha uma carreira a solo com a designação Frost além de tocar nos Seven Witches e Metalium. Estes Jack Frost já tinham editado três álbuns e com este quarto, aproveitando uma altura em que o rock/metal gótico estava em alta (culpa de uns HIM, Sentenced e The 69 Eyes), este álbum teve algum impacto na cena. O título é mais que apropriado e há uma toada doom e depressiva bastante palpável. Envelheceu relativamente bem, mas não deixa de ser um bocado aborrecido para quem já é imune às vocalizações sofridas do género. Até a versão para a alegre "California Dreamin'" parece um rito fúnebre - seria essa a intenção provavelmente. Nota 6.5/10  Fernando...

Infernal Sacrifice - "Dark Blasphemy"

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  2002 - Edição de Autor Primeiro e único lançamento por parte dos portugueses Infernal Sacrifice, uma demo lançada no início do milénio, numa altura em que o underground da música extrema nacional estava ao rubro. Trata-se de uma one-man band de black metal onde a bateria programada e o som típico de uma produção caseira é o grande problema, com a bateria (mais o som do que propriamente a programação) e a voz a encabeçar a lista. Apesar de tudo, sente-se o amor ao estilo. Foi pena não ter este projecto evoluído para algo melhor, mas ficou o registo para a posteridade. Nota 4/10 Fernando Ferreira

(Hed)PE - "(Hed)PE"

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  1997 - Jive Records Nu-metal, o bicho papão. A metade da década de noventa foi sem dúvida embrionária para o aparecimento das bases do nu-metal, embora apenas na virada do milénio que a maior explosão do estilo tivesse surgido. No caso dos (Hed)PE, podemos apontá-los como umas das primeiras bandas a usar de forma assumida (e a tempo inteiro) o hip-hop com a música pesada - e claro que vamos sempre pensar nos Rage Against The Machine mas o seu som acaba por ter uma base mais moderna e não tão groove clássico da década de setenta como é o caso da banda de Tom Morello. Pegando nisto mais de vinte anos depois, nota-se que estavam à frente do seu tempo e que este tipo de coisa acabou por ser banalizada. Compreende-se que ainda existam fãs deste tipo de sonoridade até porque a banda ainda continua activa, mas de uma perspectiva da música pesada e de impacto, hoje em dia, isto já está um bocado ultrapassado.  Nota 5/10 Fernando Ferreira

Charged G.B.H. - "City Baby's Revenge"

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  1983 - Clay Records O segundo álbum dos míticos Charged G.B.H. é um clássico. Superior à estreia, traz-nos temas mais acutilantes e até com uma evolução musical bem palpável. Melódico mas ainda assim abrasivo como se pretende do punk rock ou até mesmo do hardcore. É um álbum ao qual qualquer fã de punk irá voltar sempre. Se não for fã de punk mas estiver interessado em conhecer o estilo de uma forma histórica, poderá começar por aqui porque muitas das regras estabelecidas aqui ainda fazem sentido hoje em dia. Um clássico inevitável. Nota 9/10 Fernando Ferreira 

Charged G.B.H. - "City Baby Attacked By Rats"

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  1982 - FSR Studios Álbum de estreia dos Charged G.B.H. (designação pela qual eram conhecidos, ficando depois apenas como GBH), uma das mais clássicas e influentes bandas de street punk saídas do Reino Unido, a par dos incontornáveis Varukers e Discharge. Violento, muito pouco melódico mas carregado de contestação social que viria a marcar o género assim como também muitas bandas de metal, uma delas os Napalm Death. Engraçado notar como a produção nos faz lembrar em muitos aspectos o som e ambiente de muitas das propostas de black metal que viriam a ser feitas uma década mais tarde. Também não terá sido por acaso. Um álbum com muitas limitações técnicas mas que continua a ter o mesmo impacto hoje em dia que teve na altura - com as devidas distâncias e tendo em conta tudo o que surgiu entre os dois pontos no tempo. Essencial para quem gosta de punk/hardcore. Nota 8/10 Fernando Ferreira

Funeris Nocturnum - "Code 666 - Religion Syndrome Deceased"

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  2002 - Woodcut Records Excelente retrato como a Finlândia é um óptimo viveiro de black metal - bem, na realidade, é um óptimo viveiro para todos os estilos de música - podendo não sendo profícua como a Suécia ou Noruega mas sem dúvida que apresentou ao mundo excelentes bandas. Os Funeris Nocturnam foram sem dúvida uma delas. Este foi o terceiro álbum e último que a banda viria a lançar. A vertente melódica está muito bem vincada e de certa forma até se aproxima ao que o death metal melódico fazia na altura, mas dezoito anos depois, estas músicas parece que ainda têm mais impacto, o que é testemunho da sua longevidade. Para ouvir do início ao fim, clássico. Nota 9/10 Fernando Ferreira

4Th Plane Jaiant - "Bipolar"

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  2001 - Falcon Recording E quando tens um álbum que é tão refundido que nem a própria internet tem informações acerca deles? Quando até o Discogs só tem um álbum (de 1998)? É sinal de que é algo mesmo mau, não é verdade? Nada mais longe da verdade. Apesar de poder ser enquadrado no groove do nu metal, este lançamento vai bem mais longe, com uma onda cool e com um saxofone a dar um colorido muito especial. Este é um daqueles álbuns que foi esquecido e até ignorado mas que passados estes anos todos, continua a soar tão bem, mas tão bem, que até nos faz sentir outra vez como se estivessemos outra vez na nossa adolecência, convencidos que somos os únicos a conhecer aquela banda obscura que tanto gostamos. Nota 8/10  Fernando Ferreira

Esoteric - "Metamorphogenesis"

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  1999 - Eibon Records Existem bandas que personificam certos estilos. Os Esoteric por exemplo, para mim, personificam aquilo que o Funeral Doom é (ou pelo menos deveria ser). Escusado será dizer que este definitivamente não é um género para todos, mas é inegável que dentro do que é esperado, os Esoteric vão sempre mais além. "Metamorphogenesis" é o terceiro álbum de uma discografia que não tem momentos fracos. Claro que as opiniões se poderão dividir entre qual será o seu melhor momento assim como aqueles que poderão nem sequer perceber do que estamos a falar. A agonia e o desespero é por demais evidente neste trabalho e mesmo aqueles que poderão sentir-se como a pessoa mais feliz e afortunada do mundo, depois de ouvir isto, vai ter vontade de ir pelo cano da miséria abaixo. O facto de termos menos um disco e menos música não o torna menos imediato - a banda tinha o hábito de lançar álbuns duplos algo que colocou em pousio neste e no próximo. Clássico do estilo que foi muito...

Dissection - "The Grief Prophecy"

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  1991 - Edição de Autor É sempre interessante voltar atrás no tempo para vermos as fases embrionárias de nomes que viriam a marcar a cena metal. E nessse sentido, é bom vir até este "The Grief Prophecy", a primeira demo dos Dissection, nome que se viria a destacar no black/death melódico. Estes primeiros três temas demonstram que a banda ainda estava bastante longe daquilo que veio a impressionar o underground não muitos depois. Death metal tipicamente sueco e não muito diferente de todas as propostas que surgiam na altura. Ainda assim encontravamos já alguma vontade de fazer as leads de guitarra algo marcantes. Vale pela curiosidade histórica. Nota 5/10 Fernando Ferreira

Corrosion Of Conformity - "America's Volume Dealer"

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  2000 - Sanctuary Records Os Corrosion Of Conformity, no novo milénio, demonstravam estar a quilómetros consideráveis de distância da inspiração dos seus trabalhos anteriores. Se por um lado continua a ter o mesmo groove, que lhe é característico, já a eficácia parece não ser a mesma de sempre. Isso e o facto de ter um número de faixas amigáveis do ouvido em termos comerciais mas que falham por cativar a nossa atenção como esperaríamos ou mesmo desejaríamos. É um álbum esforçado, sem dúvida, mas desinspirado que é uma sombra bastante pálida em relação ao que lhes conhecemos. E não vou atribuir responsabilidades ao southern rock ou seja o que for - há quem compare este álbum ao "Load" e "Reload", quando na realidade esses dois álbuns estão bastante próximos daquilo que os Corrosion Of Conformity faziam. Na altura. Não há uma mudança drástica em termos estilísticos (tirando alguns temas mais funk), apenas de inspiração. Nota 6/10 Fernando Ferreira

Berserk - "From The Celtiberian Woods"

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  2001 - Oaken Shield Os Berserk foram uma daquelas bandas representativas do underground do black metal da virada do milénio, com muitas bandas a surgirem. Uma delas foram os espanhóis Berserk que praticavam (e digo praticavam porque parece que a banda entretanto acabou ou está num hiato) um black metal melódico com recurso a arranjos de teclados. Se por esta altura, a vertente melódica estava a decrescer em termos de interesse (e até qualidade), os Berserk traziam uma componente lírica apoiada no paganismo que contagiava a música. Em retrospectiva, e já com quase vinte anos em cima, posso dizer que não é um trabalho propriamente memorável mas que quem for fã de black metal, não se vai importar de lhe dar uma voltinha de vez em quando. Nota 6/10 Fernando Ferreira

A Life Once Lost - "Open Your Mouth For The Speech"

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2000 - Open Your Mouth For The Speech   Engraçado voltarmos agora a certos lançamentos que foram de certa forma embrionários. Ou pelo menos representativos da revolução de que aí viria. No início do milénio, a moda mais vigente era o nu metal mas isso não impediu que no underground tivessemos aquilo que mais tarde conheceríamos como metalcore e/ou pós-hardcore. Tendo em vista esses dois estilos, não podemos dizer que este álbum seja uma representação perfeita dos géneros, até porque há por aqui uma aproximação ao caos que se pode encontrar no jazz mais free-style, com melodias que surgem sabe-se lá como e vão sabe-se lá para onde. Revolucioário? Talvez. Relevante? Para mim, não. Nota 2/10 Fernando Ferreira

A Javelin Reign - "Wrath Of The Rice Cooker"

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2004 - Lovelost Records Único lançamento desta banda norte-americana quando a mistura de metal e hardcore ainda não era aquilo que é hoje em dia. Em defesa da banda, o som que faziam também não era propriamente algo fácil de interiorizar. Caos é o termo que melhor descrever este álbum. Existem sempre os fãs do caos, mas existem também aqueles que só são impressionados pelo caos quando têm algum sentido (mesmo que o seu sentido seja não ter sentido). Não faz sentido? Eu sei, é complicado de explicar. Sente-se que este caos não tem razão de ser, não há uma vantagem prática para a sua existência, as músicas não são melhores por isso. Não deixa de ser um testemunho da época e como eles estavam, através do underground, a fazer algo que não era de todo fácil de absorver. Ainda não é, passado todos estes anos. Nota 5/10 Fernando Ferreira

A.N.I.M.A.L. - "Fin De Un Mundo Enfermo"

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1994 - Tommy Gun Records Se houve banda que conseguiu estar à frente do seu tempo no underground da música pesada da América Latina, essa banda foi sem dúvida os A.N.I.M.A.L.. Depois de uma estreia que não impressionou especialmente, aqui a banda opta pelo som mais pesado que os viriam a caracterizar embora ainda num estágio muito embrionário. No entanto, não quer dizer isto dizer que é um álbum memorável. Não é. É uma lembrança de como o thrash metal andava por esta altura em muita experimentação e nem toda essa mesma experimentação foi interessante. Cantado em castelhano como o título sugere, temos bons temas mas de resto, nada de extraordinário. Nota 6/10 Fernando Ferreira